Política
"Passado ainda persegue Montenegro". Rui Tavares admite que Spinumviva pode levar a eleições antecipadas
Rui Tavares até acredita que a atual legislatura tem condições políticas e parlamentares para chegar até ao fim, mas perspetiva duas situações em que isso pode não acontecer.
Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas
A outra situação que pode levar a eleições legislativas é, diz Tavares ao podcast da Antena 1, Política com Assinatura, “novidades em relação a situações de confusão entre vida pessoal, familiar, empresarial e política de Luís Montenegro, ou seja, o caso Spinumviva”.
“A sensação que eu tenho é que Luís Montenegro nunca contou uma história a direito sobre aqueles assuntos. A história mudou sempre muitas vezes”, conclui.
“O passado ainda persegue Luís Montenegro? Sim ou não?”, questiona a editora de política da Antena 1, Natália Carvalho. Rui Tavares é perentório: “sim!”.
“PSD, CH e PS estão a criar uma crise constitucional em câmara lenta”, acusa Rui Tavares
O líder do Livre não poupa PSD, CH e PS. Rui Tavares, em entrevista ao podcast da Antena 1, Política com Assinatura, acusa: “os três maiores partidos estão a criar uma pré-crise constitucional. Eu até diria que é uma crise em câmara lenta porque já estamos há muito tempo sem substituir os lugares de juízes que já estão para lá de mandato”.Em causa a escolha dos juízes para o Tribunal Constitucional, sobre a qual os partidos não se entendem.
Na opinião de Rui Tavares “neste momento, a crise de instituições está é no Parlamento. Quem está a ser fragilizado com esta situação de arrastamento é o Parlamento”.
E acrescenta: “há três blocos no Parlamento e estamos todos à espera de que o PSD escolha qual é que é o bloco com quem fala”.
E se essa crise se concretizar, pergunta a editora de política da Antena 1, Natália Carvalho, “o Presidente da República tem de pensar seriamente em eleições antecipadas?”.
Rui Tavares responde que “creio que ainda não estamos aí” porque o país está cansado de eleições. O líder do Livre defende que António José Seguro “deve usar do seu poder da palavra”.
“Eleição do Constitucional abre a porta para revisão da Constituição”
Rui Tavares acredita que a polémica em redor da eleição dos juízes para o Tribunal Constitucional é uma porta aberta para a revisão da Constituição. “Já há muito tempo que o digo”, relembra o líder do Livre, que PSD e IL querem essa alteração constitucional.
Rui Tavares acusa Luís Montenegro e Rui Rocha (que, na altura das últimas legislativas, era o líder da IL) de falta de honestidade quando, em campanha, “disseram «não vamos levantar fantasmas, isso não está em cima da mesa. Deviam ter sido honestos”.
“Deviam ter tido a hombridade de dizer que sim que estava em cima da mesa. Só se lembraram de dizer que afinal sim, que estava em cima da mesa, a seguir às eleições”, acrescenta.
Questionado sobre o papel do Presidente da República nesta matéria, o líder do Livre desafia o Presidente da República, António José Seguro: “pode haver um momento em que a única forma de defender a Constituição é obrigar estes partidos, que não tiveram a coragem de dizer que queriam mudar a Constituição, a apresentarem-se perante o eleitorado e dizer-lhe «agora consigam lá os 2/3»”.
“Não é só a AD que está a governar. É a AD com o Chega"
“Luís Montenegro, se trouxesse o Livre para a mesa do diálogo, estaria a provocar o CH e a extrema-direita com quem tem uma relação privilegiada”, até porque, diz o líder do Livre, “não é só a AD que está a governar. É a AD com o CH, agenda após agenda”. Rui Tavares acusa Montenegro de se “estar a radicalizar” e afirma que “não sei se a AD está condicionada pelo CH ou se quer ir atrás do CH”.
Tavares acredita que “na altura do PS havia a arrogância da maioria absoluta. Agora há a arrogância e nem sequer há maioria absoluta”.
Garante que não se sente marginalizado pelo Governo. “Sei o que eles querem fazer: querem encostar o Livre a uma espécie de uma caricatura de uma esquerda antiga”. Rui Tavares reconhece erros cometidos pelos partidos de esquerda. O líder do Livre entende que a esquerda ao reivindicar o conceito de igualdade, abdicou do conceito da liberdade para os partidos da direita.
“Vale a pena pôr os olhos naquilo que aconteceu ao PAN, ao BE e ao CDS”, e exemplifica: “quando a crise se torna em questiúncula e quando a questiúncula se afasta muito do que interessa às pessoas, aí gera-se uma certa frustração que as pessoas dizem «não sei para que serve este partido, se não serve para dar resposta à minha vida»”.
Ao podcast Política com Assinatura, Tavares defende que “partidos que já tiveram vários deputados podem, basicamente, desaparecer”. “Não queremos que isto nos aconteça”, conclui. Entrevista conduzida pela editora de política da Antena 1, Natália Carvalho.